Baseado na excelência de atendimento oferecido, invejável estrutura e a solidez alcançada pela Santa Casa de Maringá, a Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam) colocou em discussão a possibilidade de se buscar que o Hospital Santa Casa de Campo Mourão adote o mesmo modelo de administração. Criada em 1954, um ano antes da entidade similar de Campo Mourão, a Santa Casa de Maringá é administrada há 43 anos pela congregação religiosa Irmãos da Misericórdia de Maria Auxiliadora.A ideia foi apresentada na reunião que a entidade empresarial promoveu na manhã desta sexta-feira (15/2) com representantes do poder público e de inúmeras instituições locais para buscar uma solução para as sucessivas crises financeiras e administrativas enfrentadas pelo Hospital Santa Casa de Campo Mourão. Outro objetivo é garantir atendimento médico-hospitalar de qualidade na cidade, inclusive para atender a região e transformar Campo Mourão em ponto de referência no que diz respeito a atendimento na área da saúde.
No encontro, que contou inclusive com a presença do padre Ricardo, foi ressaltado o trabalho desenvolvido pela congregação religiosa que há mais de quatro décadas administra a Santa Casa de Maringá. Surgida na Alemanha, em 1850, os seus membros são preparados e têm a missão de atender os doentes (entre outras). “… esta vocação religiosa de Irmão da Misericórdia constitui para nós um constante apelo para não negligenciarmos nossa competência profissional, a fim de podermos, sob todos os aspectos, cuidar dos doentes da melhor maneira possível. O mesmo se diga de todas as atividades profissionais as quais somos chamados a desempenhar”, destaca o site da irmandade.
A própria secretária municipal de Saúde, Patrícia Dallago Chandoha Busquim, lembrou que a igreja Católica está na origem do surgimento dos hospitais Santa Casa de Misericórdia no Brasil. Em Campo Mourão, como em muitas outras cidades, não foi diferente e religiosas atuaram na entidade durante muitos anos.
O presidente da Acicam, Marcelo Chiroli, acentuou no encontro desta sexta-feira que o objetivo é resolver definitivamente os impasses em torno da Santa Casa de Campo Mourão, dotando a instituição de uma administração profissional, sem ingerências político-partidárias.
Ao longo da reunião foram relatados vários casos de problemas no atendimento pela saúde pública em Campo Mourão e a própria prefeita, Regina Dubay, foi enfática: “A nossa saúde presida de socorro”. Pacientes da cidade e também da região estariam cada vez mais procurando atendimento – pelo SUS e particular – em outros centros, como Maringá, Umuarama e Cascavel.
Situação
Na reunião, o vereador e advogado Luiz Alfredo (que coordena a Comissão de Revisão dos Custos e Acompanhamento da Gestão Administrativa instituída para acompanha a retomada do Pronto Atendimento na Santa Casa) fez um relato sobre a situação encontrada na instituição. Também destacou que a inexistência de um presidente à frente da entidade vem gerando muitos transtornos, inclusive para o pagamento de funcionários.
A realização de mudanças no estatuto social do Hospital Santa Casa e a eleição de uma nova diretoria foram apontadas como necessidades urgentes. Na tentativa de sanar os problemas decorrentes da falta de um presidente na Santa Casa, os empresários presentes a reunião formaram uma comissão que logo após o encontro na Acicam foi até a empresa do 1º tesoureiro da atual diretoria da Santa Casa, Anésio Mendonça, com a finalidade de pedir que assuma a presidência da instituição, a fim de se viabilizar a implementação das medidas necessárias.
A Santa Casa de Maringá atua em conjunto com os gestores públicos de saúde para ajudar a suprir suas necessidades assistenciais, tecnológicas ou de competências. Para isso dispõe de 60 por cento de seus leitos aos pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS).