Lançado em Campo Mourão no dia 30 de agosto do ano passado, o Núcleo de Apoio à Gestação da Inovação (NAGI) já apresenta os primeiros resultados parciais. Catorze empresas, sediadas em Peabiru, Campo Mourão e Araruna, já aderiram ao programa desenvolvido com o apoio do Sebrae, Sistema Fiep, Confederação Nacional da Indústrias (CNI) e a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O núcleo regional tem ainda como parceiro a Fundação Educere – Pesquisa e Desenvolvimento.Em nove meses de atuação o NAGI de Campo Mourão realizou 11 workshops envolvendo exclusivamente as empresas participantes, que reuniram 350 pessoas. Nas oficinas de criatividade foram geradas 935 ideias de produtos e processos para as empresas, todas devidamente registradas, compiladas e selecionadas juntamente com cada empresário. Na avaliação dos coordenadores e empresários locais participantes, os resultados são expressivos quantitativos.
A metodologia também já mostra seus primeiros resultados qualitativos. Na empresa Lizze Equipamentos, que atua no segmento de equipamentos para estética, o NAGI “além de ajudar na integração entre os setores internos, houve também ideias de produtos que abrirão novos mercados para a empresa”, afirma o sócio proprietário, Sidimar Rocha.
Outro ponto observado pelo empresário são as oportunidades de inovação ou mesmo simples melhorias em processos internos. Ou seja, aquelas rotinas que não faziam parte da empresa, mas que, trazem muitos benefícios para o negócio, com praticamente custo zero. Como exemplo concreto, o empresário aponta a sugestão dada em um dos workshops do NAGI para que a empresa realizasse um revezamento entre os vendedores (televendas) no horário de almoço, de modo que sempre houvesse alguém para atender os clientes. Como a empresa revende para todo o país e o país conta com três fusos horários diferentes, é interessante que sempre haja um vendedor para atender os clientes, uma vez que o nosso horário de almoço não coincide com os outros fusos horários.
Desenvolvimento
Já na empresa Fhortsol, sediada em Peabiru e que atua no segmento de metais sanitários e equipamentos para banheiras e spas, quatro ideias de produtos que surgiram durante os workshops do NAGI já estão sendo desenvolvidos. “Além disso, firmamos uma importante parceria com uma empresa também participante do programa. Foi graças ao núcleo que iniciamos um departamento de inovação com maior organização dentro da nossa empresa”, afirma a sócia proprietária da Fhortsol, Eymy Rosa.
Para se ter uma dimensão da importância do tema e da posição do Brasil nos principais indicadores sobre inovação, o Banco Mundial estima que em 2013 o mundo todo investirá cerca de US$ 1,3 bilhão em ciência, tecnologia e inovação. Mais de 50 por cento desse valor estará concentrado entre EUA, Japão e China. O Brasil, sendo um dos BRIC\’s (grupo de países emergentes composto por Brasil, Rússia, Índia e China) representará apenas 2,5 por cento desse valor. Um percentual ínfimo se comparado com a dimensão econômica brasileira perante o cenário internacional.
Coordenação
O coordenador do núcleo regional do NAGI é Eduardo Akira Azuma (diretor da Fundação Educere), enquanto a engenheira Andressa Waideman atua como consultora e Maísa Silvestrin (do Senai/Curitiba) é a supervisora.
Eduardo Azuma observa que algumas das empresas participantes, até mesmo por exigência do mercado em que atuam, obrigatoriamente devem inovar para conseguir espaço e crescimento no mercado de equipamentos de alta tecnologia. “Por inovação entende-se não aqueles projetos que ficam restritos aos laboratórios de pesquisa e desenvolvimento, mas sim aquelas novidades que chegam ao mercado. Ou seja, que geram lucro ou resultado efetivo para as empresas”, detalha.
Fazer com que esse conceito rompa a linha entre o discurso e a prática, além de capacitar as empresas com técnicas de sistematização e de gestão da inovação, são alguns dos objetivos do programa NAGI – Núcleo de Apoio à Gestão da Inovação. “Na região de Campo Mourão, um grupo de indústrias, empresas e prestadores de serviços já colocam em prática e colhem frutos do investimento em inovação”, finaliza.