Acicam expõe acervo de Milton Luiz Pereira

Fotos de momentos históricos, troféus e placas de homenagens, livros, etc., que pertenceram ao ex-prefeito do Município e ministro aposentado do Superior Tribunal de Justiça (STJ), Milton Luiz Pereira, estão em exposição no Espaço Cultural da Associação Comercial e Industrial de Campo Mourão (Acicam). A montagem da mostra foi concluída no final da tarde desta sexta-feira e poderá ser visitada ao longo dos próximos três mese, em horário comercial.

As peças do acervo em exposição foram recentemente doadas pela família de Milton Luiz Pereira (que faleceu na madrugada do dia 16 de fevereiro do ano passado) a Academia Mourãoense de Letras, através de gestões desenvolvidas pelo presidente da entidade, o historiador Jair Elias dos Santos. O material nunca foi exposto e chegou a Campo Mourão nesta sexta-feira.

O Espaço Cultural da Acicam está instalado na sede da entidade, que funciona no último pavimento do Centro Empresarial Cidade (na esquina da avenida Irmãos Pereira com a rua Araruna).

O homenageado

Milton Luiz Pereira nasceu em Itatinga (SP) e se formou em Direito pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). O ex-ministro atuou como Juiz Federal substituto e titular da 2ª Vara da Seção Judiciária do Paraná, como Juiz do Tribunal Regional Federal da 3ª Região (1989) e presidente do TRF-3ª Região (1989/1991). Em 1992, Milton Luiz Pereira ingressou no STJ e se aposentou em 2003. Ele e a mulher, Rizoleta Mary Pereira, estavam internados com câncer no pulmão. O jurista tinha 79 anos e morreu algumas horas após o falecimento da esposa.

Como ministro do STJ realizou julgamentos importantes. Mas o maior legado que deixou ao Paraná e ao Brasil foi sua conduta. Um homem público íntegro, humilde e sempre pronto para aprender.

O historiador Jair Elias dos Santos Júnior relembra uma série de fatos e frases que ajudam a entender a admiração que o juiz despertava entre tantas pessoas. “Aprendi todos os dias, todas as horas. Quando mais tarde, ao reler os livros de minha vida, quiser tirar a maior lição de todas, saberei que o mais importante é ser humilde”, afirmou Pereira ao sair do STJ.

Campo Mourão

Nascido em 9 de dezembro de 1932, mudou-se adolescente para Curitiba. Na capital, iniciou amizade com José Richa, então estudante de Odontologia. Como advogado, Pereira foi atuar em Campo Mourão no ano de 1959 e rapidamente foi reconhecido por seu trabalho.

Em 1963 aceitou disputar a eleição para prefeito da cidade pelo Partido Democrata Cristão (PDC), de Ney Braga. A eleição parecia perdida e o candidato tinha poucos recursos, além de concorrer com um forte empresário local – Ivo Trombini -, que o apoio do ex-presidente Juscelino Kubits­­chek. Então senador, JK chegou a fazer um comício no município.

Como prefeito de Campo Mourão, Milton Luiz Pereira promoveu uma grande inovação para a época. Criou o Conselho Comunitário, que contava com a participação de uma pessoa de cada bairro da cidade. O trabalho foi produtivo: as receitas financeiras do município cresceram e a sua gestão entregou várias obras, como bibliotecas, rede de água e esgoto, estradas, estação rodoviária, etc. Graças ao Conselho e às obras, Cam­­po Mou­­rão foi escolhido à época como “Município Modelo do Paraná”.

Em 1967, Pereira renunciou ao cargo de prefeito para ser nomeado juiz federal, atingindo o objetivo de chegar à magistratura. Ele já havia sido convidado para secretário estadual e candidato a deputado estadual ou federal. Quando deixou a Prefeitura recebeu da população um fusca, que foi seu único veículo e que manteve durante toda a sua vida. “Toda vez que entro nele, sinto-me em Campo Mourão. Naquele momento, senti que o povo sabe ser justo”, dizia o juiz.

Recentemente, a vida de Milton Luiz Pereira foi o tema do quadro Casos e Causos da Revista RPC, transmitido pela Rede Globo.

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